Relatórios de Missão

Relatório da missão de promoção conjunta à República do Botswana 09 - 13 de julho de 2018

Relatório da missão de promoção conjunta à república do Botswana _09 - 13 de julho de 2018.pdf
AFRICAN UNION UNION AFRICAINE UNIÃO AFRICANA African Commission on Human & Peoples’ Rights Commission Africaine des Droits de l’Homme & des Peuples 31 Bijilo Annex Layout, Kombo North District, Western Region, P. O. Box 673, Banjul, The Gambia Tel: (220) 4410505/4410506; Fax: (220) 4410504; E-mail: au-banjul@africa-union.org; Web www.achpr.org RELATÓRIO DA MISSÃO DE PROMOÇÃO CONJUNTA À REPÚBLICA DO BOTSWANA ELABORADO PELOS SEGUINTES COMISSÁRIOS: SOYATA MAIGA LAWRENCE M. MUTE HATEM ESSAIEM & MARIA TERESA MANUELA 09 - 13 DE JULHO DE 2018
ÍNDICE AGRADECIMENTOS RESUMO 1.0 INTRODUÇÃO Pg. 1 1.1 Composição da Delegação 1.2 Termos de Referência 1.3 Compromissos anteriores entre a Comissão e o Botswana 1.4 Perfil do País 1.5 Metodologia 2.0 CONSTATAÇÕES Pg. 6 2.1 Os direitos das pessoas que vivem com o VIH/SIDA 2.2 Medidas legislativas e outras medidas de aplicação das disposições da Carta Africana 2.3 Liberdade de expressão e de acesso à informação 2.4 Proibição da tortura 2.5 Prisões e condições de detenção 2.6 Os direitos das mulheres 2.7 Os direitos das crianças 2.8 A situação dos refugiados 2.9 Os direitos das pessoas com deficiência 2.10 Os direitos das populações/comunidades indígenas 2.11 O direito ao trabalho 2.12 O direito à saúde 2,13 O direito à educação 2.14 Indústrias extractivas 3.0 RECOMENDAÇÕES Pg. 13 ANEXOS Pg. 16 - Anexo 1: Lista de pessoas com quem a missão reuniu durante as diversas reuniões Anexo 2: A Agenda da Missão
AGRADECIMENTOS A Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (a Comissão) gostaria de expressar a sua gratidão ao Governo da República do Botswana (Botswana) por ter autorizado esta Missão de Promoção e por ter colocado à disposição da sua Delegação todas as instalações e pessoal necessários para garantir o êxito da Missão. Em especial, a Comissão destaca o Ministério dos Assuntos Internacionais e Cooperação e os Pontos Focais que acompanharam a Delegação ao longo de toda a sua missão, pelas disposições adoptadas que permitiram à Delegação reunir-se com diversos governos e outros intervenientes, a fim de ter uma visão bastante representativa da situação dos direitos humanos no país. A Comissão gostaria igualmente de agradecer a todos os representantes de vários ministérios, instituições estatutárias independentes e outras pessoas que encontraram tempo para se reunirem com a sua Delegação.
RESUMO A Comissão realizou uma missão de cinco dias ao Botswana, de 09 a 13 de Julho de 2018, e reuniu-se com várias autoridades governamentais e representantes de organizações intergovernamentais e não-governamentais (ONG). A missão foi realizada em conformidade com o n.º 1 do artigo 45.º da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (Carta Africana), que mandata a Comissão para promover a observância dos direitos garantidos, acompanhar a sua aplicação, assegurar a protecção dos direitos e liberdades nela consagrados e interpretar a Carta. Durante a missão, as várias medidas postas em prática para fazer face à pandemia do VIH no Botswana foram registadas e elogiadas. Além disso, foram registadas iniciativas louváveis, tais como o acesso a cuidados de saúde e educação gratuitos. Foram registadas algumas áreas de preocupação, para as quais foram propostas recomendações, a fim de assegurar a promoção e a protecção dos direitos humanos no Botswana. No presente relatório, a Comissão propõe uma série de recomendações, incluindo o apelo ao Governo no sentido de: colmatar o défice de financiamento para garantir a prestação de apoio financeiro adequado aos programas desenvolvidos para combater o VIH/SIDA; e abordar a taxa crescente de novas infecções por VIH entre adolescentes, jovens raparigas e mulheres. A Comissão convida igualmente o Governo a acelerar a ratificação dos instrumentos regionais e internacionais, para além da promulgação de legislação que criminalize a violação conjugal, da regulamentação do financiamento dos partidos políticos, do reconhecimento dos direitos das populações indígenas e da garantia do direito de acesso à informação. A Comissão exorta igualmente o Governo a criar um organismo independente para investigar as alegações de tortura e um órgão independente de supervisão policial para investigar as alegações de violações cometidas pela polícia.
1.0 INTRODUÇÃO 1.1 Composição da Delegação 1. A Delegação da Comissão integrava: i. a Comissária Soyata Maiga, Presidente da Comissão, Presidente do Comité para a Protecção dos Direitos das Pessoas que Vivem com o VIH (PVVIH) e das Pessoas em Risco, Vulneráveis e Afectadas pelo VIH e Presidente do Grupo de Trabalho sobre Populações Indígenas/Comunidades em África; ii. Comissário Lawrence Murugu Mute, Vice-Presidente da Comissão, Comissário Relator sobre a situação dos direitos humanos na República do Botswana e Relator Especial sobre a Liberdade de Expressão e Acesso à Informação em África; iii. Comissário Hatem Essaiem, Presidente do Comité para a Prevenção da Tortura em África; iv. Comissária Maria Teresa Manuela, Relatora Especial sobre Prisões, Condições de Detenção e Policiamento em África; e v. A Sra. Anita Bagona, Sra. Eva Heza e Sra. Doris Kendi Kiambati que prestaram apoio técnico à Delegação durante a missão. 1.2 Termos de Referência 2. Os termos de referência da Missão ao Botswana foram: i. Promover a Carta Africana e outros instrumentos regionais e internacionais relevantes em matéria de direitos humanos e promover uma melhor divulgação das actividades da Comissão; ii. Trocar pontos de vista e partilhar experiências com o Governo do Botswana e outras partes interessadas que trabalham no domínio dos direitos humanos e dos povos no país sobre estratégias destinadas a melhorar o exercício desses direitos; iii. Reforçar as relações entre a Comissão e as autoridades do Botswana no domínio da promoção e protecção dos direitos consagrados na Carta Africana e noutros instrumentos nacionais, regionais e internacionais relevantes em matéria de direitos humanos; iv. Estabelecer um diálogo com o Governo do Botswana no que respeita às medidas legislativas e outras medidas tomadas para aplicar as disposições da Carta Africana e outros instrumentos relativos aos direitos humanos ratificados pelo país; 1
v. Avaliar o impacto do VIH/SIDA no país, bem como a situação dos direitos das pessoas que vivem com VIH/SIDA, das pessoas em risco, vulneráveis e afectadas pelo VIH/SIDA, identificar os progressos realizados, bem como os obstáculos que impedem o exercício e o pleno gozo dos seus direitos; vi. Visitar hospitais, centros de saúde, de rastreio e outros centros filiados para conhecer as condições sanitárias das pessoas que vivem com o VIH e as medidas tomadas para permitir a toda a população o acesso aos serviços de prevenção, tratamento e cuidados de VIH; vii. Trocar pontos de vista e recolher informações sobre o exercício do direito à liberdade de expressão e de acesso à informação no Botswana; viii. Visitar as prisões e realizar debates com funcionários da administração penitenciária e outras partes interessadas sobre todas as questões relacionadas com a detenção e as prisões, incluindo as condições de detenção; ix. Recolher informações relevantes sobre a situação dos direitos das mulheres, crianças, requerentes de asilo, refugiados, deslocados internos, migrantes, idosos, pessoas com deficiência, comunidades indígenas, pessoas detidas e outras categorias de pessoas vulneráveis que vivem no Botswana; x. Compreender o nível de gozo dos direitos económicos, sociais e culturais das populações do Botswana, bem como as medidas tomadas pelo Governo para implementar esta categoria de direitos humanos; xi. Recolher informações sobre a implementação das Directrizes e Medidas para a Proibição e Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes em África (as Directrizes de Robben Island); xii. Trocar pontos de vista e recolher informações sobre as indústrias extractivas e avaliar o impacto das indústrias extractivas na vida das populações do país, bem como no ambiente; xiii. Recolher informações sobre a situação dos defensores dos direitos humanos no Botswana e discutir com as partes interessadas os desafios que dificultam o exercício efectivo dos direitos dos defensores dos direitos humanos; xiv. Defender a ratificação de instrumentos jurídicos regionais e internacionais integrais em matéria de direitos humanos que não tenham sido ratificados pelo Botswana; e xv. Reunir-se com representantes das Organizações da Sociedade Civil (OSC) 2
envolvidas na promoção e protecção dos direitos humanos. 1.3 Compromissos anteriores entre a Comissão e o Botswana 3. A presente missão foi a sexta (6) missão ao Botswana. As missões anteriores tinham sido realizadas nos anos seguintes: i. Missão de promoção realizada pelo Comissário Victor Dankwa de 26 de Maio a 10 de Junho de 1996; ii. Missão de promoção realizada pelo Comissário Barney Pityana de 02 a 07 de Abril de 2001; iii. Missão de promoção realizada pelo Comissário Bahame Tom Nyanduga, responsável pela promoção dos direitos humanos no Botswana, de 14 a 18 de Fevereiro de 2005; iv. Missão de promoção realizada pelo Grupo de Trabalho sobre Populações/Comunidades Indígenas, liderada pelo Comissário Andrew Chigovera, Presidente do Grupo de Trabalho, de 15 a 23 de Junho de 2005; e v. Missão de averiguação sobre o regime de protecção dos requerentes de asilo, refugiados e migrantes no Botswana, realizada pelo Comissário Bahame Tom Nyanduga na sua qualidade de Relator Especial para os Refugiados, Requerentes de Asilo, Deslocados Internos e Migrantes em África, de 11 a 15 de Agosto de 2008. 4. O Relatório Periódico Inicial do Botswana, abrangendo o período de 1986 a 2007, foi apresentado durante a 46.ª Sessão Ordinária da Comissão, realizada em Novembro de 2009, e as Observações e Recomendações Finais ao Botswana foram adoptadas durante a 47.ª Sessão Ordinária em Maio de 2010. O 2.º e 3.º Relatórios Periódicos Combinados, abrangendo o período entre 2011 e 2015, foram apresentados durante a 63.ª Sessão Ordinária da Comissão, realizada em Novembro de 2018, com as Observações Finais e Recomendações adoptadas durante a 26.ª Sessão Extraordinária, realizada em Julho de 2019. 1.4 Perfil do País1 5. O Botswana é um país sem litoral, situado no centro da região da África Austral, com uma superfície de 581.730 quilómetros quadrados. O país está dividido em dezasseis 1 Informação compilada a partir das seguintes fontes: Primeiro Relatório Periódico à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, 1986- 2007; 2.º e 3.º Relatórios da República do Botswana sobre a implementação da Carta Africana e o Relatório Pré-Missão;; http://www.gov.bw/en/Ministries--Authorities/Ministries/The-Parliament-PO1/; http://www.gov.bw/en/Ministries--Authorities/Ministries/Administration-of-Justice-AOJ/About-AOJ/TheHierarchy-of-the-Courts/ 3
distritos administrativos: dez rurais e seis urbanos. Neste âmbito, existem vinte e três sub-distritos, incluindo quatro autoridades administrativas. 6. O Botswana é uma república democrática com um sistema de governo a dois níveis: governo nacional chefiado pelo Presidente, e administrações locais chefiadas por um presidente de câmara nas cidades por um presidente de conselho nos distritos rurais. O Governo inclui a Assembleia Nacional, o Executivo, o Judiciário e a Câmara dos Chefes (Ntlo ya Dikgosi). 7. O Parlamento do Botswana é responsável pela legislação e a fiscalização. É composto por sessenta e três (63) deputados, sendo o Presidente da República, cinquenta e sete (57) deputados eleitos, quatro (4) deputados de forma especial, e o Presidente da Assembleia Nacional. O Presidente da Assembleia Nacional é o Chefe da Autoridade Legislativa e é responsável pela administração do Parlamento. 8. A Câmara dos Chefes desempenha um papel consultivo em matéria de legislação relativa ao direito tribal e aos costumes. É composta por 35 membros permanentes (representando cada uma das oito “tribos” tswana) e membros que são seleccionados para um mandato de cinco anos. 9. O sistema judiciário é a última instância de arbitragem de todas as questões jurídicas no Botswana, sendo o Tribunal de Recurso o tribunal supremo e último do país. Os Julgado de Paz são criados pela Lei dos Julgados de Paz, como tribunais de primeira instância. Os processos são objecto de recurso junto do Supremo Tribunal do Julgado de Paz. 10. A Constituição foi adoptada pelo Botswana aquando da independência, em 1966. O Capítulo II da Constituição do Botswana consagra uma Carta de Direitos que protege os direitos e liberdades fundamentais do indivíduo, mas não consagra os direitos sociais, culturais e económicos.2 11. O Botswana tem um sistema jurídico duplo, que inclui o direito consuetudinário e o que habitualmente se designa por direito comum ou common law. O direito consuetudinário é o direito de qualquer tribo ou comunidade tribal em particular, desde que não seja incompatível com as disposições de qualquer lei escrita ou contrário à moralidade, à humanidade ou à justiça natural. O direito consuetudinário não é escrito e tem variações entre diferentes comunidades. O direito comum consiste na lei inglesa e na lei romana neerlandesa tal como estava em vigor no Cabo em 10 de Junho de 1891 e tal como alterada pelos Estatutos periodicamente e interpretada pelos Tribunais. Os dois sistemas coexistem, embora existam diferenças entre a lei e a sua aplicação.3 2 3 Primeiro relatório periódico à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, 1986-2007, parágrafo 66 Id, parágrafo 41 4
1.5 Metodologia 12. Em 27 de Janeiro de 2018, à margem da 30.ª Cimeira da União Africana, a Comissão, em colaboração com a ONUSIDA, lançou oficialmente o seu estudo sobre o "VIH, a lei e os direitos humanos no sistema africano de direitos humanos: Desafios e oportunidades fundamentais para respostas baseadas nos direitos.” O evento contou com a presença de várias autoridades ao mais alto nível, incluindo o Vice-Presidente do Botswana, S.E. Mokgweetsi Masisi, que convidou a Comissária Soyata Maiga a visitar o Botswana. 13. Assim, embora inicialmente concebida como uma missão de promoção do Comité para a Protecção dos Direitos das Pessoas que Vivem com VIH (PVVIH) e das Pessoas em Risco, Vulneráveis ao VIH e Afectadas pelo VIH (o Comité), a Comissão alargou posteriormente o mandato a outras áreas temáticas e solicitou ao Governo do Botswana que incluísse reuniões com outras partes interessadas em diferentes ministérios e instituições. 14. A missão teve início a 09 de Julho de 2018 e reuniu um total de noventa e oito [98] funcionários de agências estatais, da sociedade civil e de organizações intergovernamentais (consultar anexo 1), incluindo: i. ii. iii. O Secretário Permanente e os funcionários do Ministério da Defesa, Justiça e Segurança; O Secretário Permanente e funcionários do Ministério da Educação Elementar; O Secretário Permanente e funcionários do Ministério da Juventude, do Desporto e do Desenvolvimento Cultural; iv. O Secretário Permanente e funcionários do Ministério da Nacionalidade, Imigração e Assuntos do Género; v. O Secretário Permanente Adjunto para o Desenvolvimento e Orçamento e os funcionários do Ministério das Finanças e do Desenvolvimento Económico; vi. O Secretário Permanente Adjunto do Ministério do Ensino Superior, Investigação, Ciência e Tecnologia; vii. Membros da Comissão Parlamentar de Saúde e VIH/SIDA; viii. O Provedor de Justiça, o Provedor de Justiça Adjunto e os funcionários do Gabinete do Provedor de Justiça; ix. O Presidente do Conselho da Organização Não Governamental e os membros do Conselho; x. Funcionários do Ministério da Saúde e do Bem-Estar e o Coordenador da Agência Nacional de Coordenação da SIDA; xi. O Director do Centro de Controlo de Doenças Infecciosas do Serviço Prisional do Botswana; xii. O Vice Comissário do Serviço Prisional do Botswana e o Comandante de Divisão Sul, Serviço Prisional do Botswana; xiii. O Coordenador Residente das NU e representantes das agências das NU; e xiv. Representantes das organizações da sociedade civil que trabalham no Botswana. 5
15. Durante a missão a Delegação visitou também o Centro de Controlo de Doenças Infecciosas (IDCC), a Clínica Bontleng e os escritórios da Associação de Bem-Estar Familiar do Botswana (BOFWA). A Missão foi concluída com uma conferência de imprensa. 6
2.0 CONSTATAÇÕES 16. Globalmente, a Delegação observou que a interacção durante as reuniões com os vários representantes do Governo foi bastante extensa; contudo, em grande medida, a maioria das partes interessadas do Governo reunidas forneceu informações sobre os respectivos trabalhos em relação à resposta do Governo ao VIH/SIDA. Além disso, a interacção da Delegação com os representantes das ONG sediadas no Botswana foi bastante limitada devido a limitações de tempo. 17. Além disso, embora solicitado no mandato revisto, não se realizaram vários compromissos durante a Missão, incluindo uma reunião com o Procurador-Geral da República e o Sistema de Comunicação e Informação do Governo do Botswana (BGCIS). Ademais, durante a sua visita ao Centro de Controlo de Doenças Infecciosas (IDCC), localizado junto a uma prisão em Gaborone, a Delegação não foi autorizada a realizar uma visita ao interior da prisão. 18. Com base nas entrevistas realizadas e nas informações obtidas pela Delegação, as conclusões da Missão são discutidas a seguir, tendo em conta o mandato da Missão. 2.1 Medidas legislativas e outras medidas de aplicação das disposições da Carta Africana 19. A Delegação tomou nota das informações prestadas sobre as medidas tomadas pelo Governo para aplicar as disposições da Carta Africana. O Governo tinha adoptado leis para garantir a protecção dos direitos humanos, incluindo a Lei sobre a Violência Doméstica (2008), a Lei da Criança (2009), a Lei contra o Tráfico de Seres Humanos (2014) e a Lei sobre a denúncia de delitos (2016). Além disso, o artigo 15.º da Constituição tinha sido alterado para proibir a discriminação com base no sexo. O Governo tinha igualmente instituído programas de sensibilização para registar todos os cidadãos, em conformidade com a Lei do Registo Nacional, com vista a garantir que os cidadãos pudessem aceder aos serviços do Governo. 20. No entanto, apesar destas medidas positivas, a Delegação constatou a manutenção das disposições legais sobre a pena de morte nos estatutos e a continuação da execução dos reclusos condenados à pena capital. Segundo o Governo, a maioria da população continua a optar pela manutenção da pena de morte no Botswana. A Delegação registou igualmente a inexistência de qualquer lei que regule o financiamento ou as despesas dos partidos políticos. 21. A Delegação louvou o empenho e as iniciativas do Governo no combate à corrupção, incluindo o mandato de que todos os ministérios tenham uma unidade anti-corrupção e a designação de um juiz do Supremo Tribunal para tratar especificamente de casos de corrupção. 22. A Delegação foi informada de que o Conselho das Organizações Não Governamentais 7
(NGOC) foi criado como um órgão estatutário para facilitar o diálogo e a colaboração entre o Governo e a sociedade civil. 23. O Governo tinha igualmente criado o Gabinete do Provedor de Justiça com o mandato de investigar queixas de injustiça ou má administração cometidas por funcionários do Governo e de formular recomendações de medidas correctivas. No entanto, o Gabinete do Provedor de Justiça enfrentou desafios que se prendiam com a execução do seu mandato, nomeadamente a falta de plena autonomia e independência financeira. 24. Além disso, a Delegação observou que o Governo não criou uma Instituição Nacional de Direitos Humanos (INDH) dedicada à promoção e protecção dos direitos humanos no país. 25. Através das suas diversas interacções com intervenientes estatais e não estatais, a Delegação tomou nota do nível relativamente baixo de ratificação dos instrumentos regionais e internacionais em matéria de direitos humanos por parte do Botswana. O Governo explicou que preferia preparar os instrumentos legislativos e políticos necessários antes de se tornar parte nos instrumentos internacionais em matéria de direitos humanos. Em particular, o Botswana não era signatário dos seguintes instrumentos: i. Protocolo relativo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos da Mulher em África; ii. Protocolo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre o estabelecimento de um Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos; iii. A Carta Africana da Juventude; iv. Convenção da União Africana para a Protecção e Assistência de Deslocados Internos em África; v. A Carta Africana da Democracia, Eleições e Governação; vi. O Protocolo relativo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos dos Idosos em África; vii. Protocolo relativo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em África; viii. O Pacto internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais e o seu Protocolo Facultativo; ix. O Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura; x. O Segundo Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos com vista à Abolição da Pena de Morte; xi. A Convenção para a Protecção de Todas as Pessoas contra os Desaparecimentos Forçados; xii. A Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias; e xiii. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o seu Protocolo 8
Facultativo. 2.2 Os direitos das pessoas que vivem com o VIH/SIDA 26. Como já foi explicado no presente relatório, a situação do VIH/SIDA no país e as consequentes intervenções para combater a doença foi a principal questão temática discutida durante a Missão. 27. A Delegação foi informada de que o Governo tinha envidado esforços concertados para fazer face à prevalência do VIH/SIDA. Estes esforços incluíram a criação da Agência Nacional de Coordenação da SIDA (NACA) integrado no Ministério da Saúde e do Bem-Estar para coordenar e facilitar a implementação da resposta nacional ao VIH e à SIDA, e o Centro de Controlo das Doenças Infecciosas (IDCC) criado no Serviço Prisional do Botswana. Durante a visita ao IDCC, a Delegação foi informada de que o mandato do ICCC era promover a sensibilização para o VIH/SIDA nas prisões, nomeadamente através da prestação de aconselhamento aos presos, do controlo da adesão aos medicamentos e do fornecimento gratuito de ARV à população prisional. 28. A Delegação tomou conhecimento de que, a nível nacional, todas as instituições governamentais que recebem ajuda são obrigadas a ter um coordenador para o VIH/SIDA, com vista a garantir que haja uma área focal de todas as instituições governamentais. 29. O Governo instituiu um programa de testes que garante a todos os cidadãos o acesso a ARV gratuitos, enquanto os refugiados residentes no campo de refugiados de Dukwi tiveram acesso a ARV gratuitos na clínica instalada no campo. 30. A Delegação foi igualmente informada de que, nos seus esforços para fazer face à pandemia, o Governo introduziu o programa "testar e tratar" em 2016, que é fornecido independentemente da contagem de CD4. Os testes são voluntários e disponíveis para todos, embora os adolescentes com menos de 16 anos de idade necessitem do consentimento dos pais para poderem ser testados. 31. Além disso, a Delegação foi informada do êxito do Governo no sentido de pôr termo à transmissão “de mãe para filho”, com uma redução significativa nestes casos de 60% para menos de 2%. 32. A prevalência do VIH no sistema escolar foi de 1,4% na faixa etária dos 13 aos 19 anos, em resposta à qual o Governo tinha iniciado programas de saúde sexual e reprodutiva dirigidos aos jovens. 33. No entanto, apesar dos ganhos significativos constatados, a Delegação registou a falta de apoio financeiro adequado aos programas de luta contra o VIH/SIDA, o que teve 9
um impacto negativo nas intervenções do Governo, tais como infra-estruturas inadequadas para os serviços de aconselhamento. Um dos factores que exacerbaram a falta de apoio financeiro adequado foi a consequência negativa da classificação do Botswana como "país de rendimento médio", que teve impacto no montante da ajuda recebida pelo Governo. 34. A Delegação foi igualmente informada de que a falta de acesso a ARV gratuitos por parte de não cidadãos estava a dificultar a redução da doença do VIH/SIDA no país. 35. Além disso, registou-se um aumento de novas infecções por VIH entre adolescentes, raparigas e mulheres, o que realçou a necessidade de aumentar os serviços de saúde voltados para os adolescentes para garantir a prestação de serviços sexuais e reprodutivos abrangentes aos jovens. Existiam igualmente barreiras jurídicas que restringiam o acesso de populações-chave como os homens que praticam sexo com homens (HSH) e os trabalhadores do sexo a produtos de prevenção do VIH, como preservativos e ARV. Observou-se igualmente a falta de estatísticas sobre a prevalência do VIH/SIDA entre as populações indígenas. 2.3 Liberdade de expressão e de acesso à informação 36. A Delegação foi informada de que havia sido inicialmente elaborado um projecto de lei sobre a liberdade de informação como projecto de lei em 2010 e que este tinha sido apresentado ao Parlamento várias vezes. O Governo não promulgou, contudo, uma lei que garanta o direito de acesso à informação. 2.4 Proibição da tortura 37. Nas suas interacções sobre a proibição da tortura, a Delegação observou que, embora exista uma disposição constitucional que proíbe actos de tortura, o Governo não promulgou disposições legais específicas que criminalizem a tortura. 38. Além disso, o Governo não criou um Mecanismo Nacional de Prevenção especificamente mandatado para fiscalizar o tratamento das pessoas privadas de liberdade nos locais de detenção. 39. A Delegação foi, contudo, informada de que os agentes da polícia devem fazer uma formação sobre a proibição da tortura e que as alegações de tortura cometidas pela polícia são investigadas pelo Conselho de Disciplina e podem ser objecto de recurso junto da Comissão de Recurso da Polícia do Botswana. 2.5 Prisões e condições de detenção 40. Durante a sua visita a um centro IDCC em Gaborone, a Delegação interagiu com um Director do centro IDCC e com o Comissário Adjunto dos Serviços Prisionais do Botswana, que prestou informações relevantes sobre as prisões e as condições de 10
detenção no Botswana. A Delegação não pôde, no entanto, deslocar-se a uma prisão para inspeccionar as instalações e interagir com os reclusos. 41. Especificamente, a Delegação foi informada de que, havia cerca de 4.002 reclusos em todo o país e, embora não houvesse sobrelotação nas prisões de baixa segurança, havia casos de sobrelotação nas prisões de alta segurança. Não era praticada a discriminação entre reclusos com e sem o VIH/SIDA, e pessoas condenadas e em prisão preventiva eram mantidas em diferentes secções da prisão, enquanto os jovens eram mantidos separadamente. O país tinha dois centros de detenção para mulheres, um em Gaborone e o outro no Norte. 42. A Delegação foi também informada de que existem vinte e três (23) prisões, incluindo dois centros de detenção para mulheres, um em Gaborone e o outro no Norte. Devido ao número de prisioneiros detidos, o Governo tenciona construir mais prisões. 43. Os presos tinham acesso à educação e formação profissional nas prisões, incluindo o ensino primário e superior, carpintaria metálica, agricultura, construção, culinária e canalização. Foram providenciadas rampas e casas de banho acessíveis aos reclusos com deficiência, e os reclusos com doenças mentais foram encaminhados para hospitais psiquiátricos, tendo o Conselho de Saúde Mental realizado visitas regulares às prisões. Havia acesso a medicamentos gratuitos nas prisões. As mães lactantes podiam ser encarceradas com os seus bebés até aos dois anos de idade. Os reclusos recebiam três refeições equilibradas por dia, com uma dieta especial dada às mães lactantes. 44. As organizações não governamentais (ONG) são autorizadas a realizar visitas às prisões, mediante autorização prévia, e os reclusos em prisão preventiva são autorizados a receber alimentos dos membros das suas famílias. 45. O CICV e as igrejas também visitam com regularidade os estabelecimentos prisionais. 46. A Delegação concluiu que preservativos não são fornecidos nas prisões, pois isso constituiria uma violação da lei contra a sodomia no Botswana. Além disso, o Botswana não dispunha de um órgão independente de supervisão policial mandatado para investigar as alegações de violações cometidas pela polícia. 47. Foram prestadas informações sobre a formação de agentes da autoridade e da segurança pública em matérias específicas e as questões de direitos humanos estão integradas, principalmente no que se refere a questões de violência doméstica. Contudo, não forneceram qualquer informação sobre a integração das Directrizes de Luanda, das Directrizes sobre o Policiamento das Manifestações em África e dos Princípios sobre a Descriminalização de Pequenos Delitos nestas formações. 48. Além disso, o Botswana não dispunha de um órgão independente de supervisão policial mandatado para investigar as alegações de violações pela polícia. 11
2.6 Os direitos das mulheres 49. A Delegação foi informada de que, em 2017, o Botswana assinou o Protocolo Revisto da SADC sobre Género e Desenvolvimento, que é um instrumento sub-regional que estipula objectivos específicos em matéria de igualdade entre homens e mulheres e apela à sua aplicação através de metas e calendários. A Política Nacional sobre Género e Desenvolvimento já tinha sido adoptada em 2015, proporcionando um quadro para incluir a perspectiva de género em todas as actividades do Governo. O Governo tinha igualmente envidado esforços concertados para combater a mortalidade materna causada por hemorragias e eclâmpsia. 50. Apesar destas iniciativas, a Delegação foi informada da elevada incidência da mortalidade materna causada pelo aborto inseguro. 51. A Delegação tomou igualmente nota da baixa representação das mulheres nos órgãos políticos, registando que, dos 57 (cinquenta e sete) parlamentares, apenas três (3) mulheres foram eleitas e duas (2) foram nomeadas. A violência baseada no género constituía uma violação dos direitos humanos prevalecente no país, não existindo qualquer lei que criminalize a violação conjugal. 2.7 Os direitos das crianças 52. A Delegação foi informada de que o Código Penal foi alterado para aumentar a idade de consentimento sexual de dezasseis para dezoito anos, para que estivesse em conformidade com a Lei da Criança. O Governo instituiu um comité multissectorial para fazer face ao trabalho infantil. Além disso, as raparigas grávidas continuaram a receber educação e não foram impedidas de fazer exames. No entanto, verificou-se que não existia qualquer mecanismo ou incentivo para controlar o número de raparigas que regressam à escola após a gravidez. 2.8 A situação dos refugiados 53. A Delegação foi informada de que existem dois mil, cento e trinta (2 130) refugiados residentes no campo de refugiados de Dube, sendo o maior número de refugiados provenientes da Namíbia e do Zimbabwe. O Governo dispunha de um programa de repatriamento voluntário que prestava assistência aos refugiados que desejavam regressar aos seus países de origem. 2.9 Os direitos das pessoas com deficiência 54. A Delegação foi informada de que foi criado um Gabinete de Coordenação de Pessoas com Deficiência no Gabinete do Presidente, tendo a Unidade de Serviços de Apoio à Deficiência sido instalada no Ministério do Ensino Superior, Investigação e Tecnologia para desenvolver programas para estudantes com deficiência. 12
55. No entanto, verificou-se também que apenas uma pessoa com uma deficiência estava a exercer as funções de deputado. 2.10 Os direitos das populações/comunidades indígenas 56. O Governo tinha instituído iniciativas para prestar serviços às pessoas que vivem em zonas de difícil acesso, incluindo o Programa de Desenvolvimento de Zonas Remotas, que beneficia as pessoas que vivem em zonas remotas que não têm acesso a equipamentos sociais básicos, nomeadamente a comunidade de Basarwa. No entanto, a Delegação constatou a ausência de reconhecimento das populações indígenas na legislação do país, tendo os representantes do Governo preferido referir-se a este grupo vulnerável como "habitantes de zonas remotas". ’ 2.11 O direito ao trabalho 57. A Delegação foi informada de que o Governo tinha criado um Fundo de Desenvolvimento da Juventude para apoiar os membros da juventude interessados em criar empresas. No entanto, apesar dos esforços do Governo para capacitar os jovens através de programas de desenvolvimento profissional e técnico, registou-se uma elevada incidência de desemprego juvenil. 2.12 O direito à saúde 58. A Delegação louvou o compromisso do Governo de financiar o sector da saúde, nomeadamente através da afectação de cerca de 15% do orçamento anual à saúde. O Governo prestou igualmente serviços de saúde a título gratuito. Contudo, a Delegação foi igualmente informada de que é cobrada uma taxa nominal pelos serviços de saúde. 2,13 O direito à educação 59. O Governo tinha tomado uma série de medidas importantes para garantir o direito à educação no Botswana. Tinha instituído o ensino gratuito a nível primário e secundário. Tinha igualmente posto em prática medidas destinadas a incentivar o acesso das raparigas à educação, tendo sido atingido o objectivo da paridade entre os sexos no ensino básico e superior. O Governo tinha criado internatos e escolas satélite para incentivar o acesso à educação das crianças que vivem em zonas remotas e tinha introduzido incentivos destinados aos professores, tais como o subsídio para as zonas remotas, para fazer face ao desafio da elevada rotação dos professores destacados para as escolas remotas. Uma vez que a língua de ensino nas escolas era o inglês, tinha sido introduzido o recurso a assistentes de professores que ajudam na integração linguística, para estudantes que não falavam inglês. Por último, a saúde sexual e reprodutiva tinha sido integrada no currículo escolar e tinha sido introduzida uma política contra o assédio sexual em todas as universidades, com estudantes capazes de denunciar casos de forma anónima. 13
2.14 Indústrias extractivas 60. A Delegação foi informada de que o Governo tinha instituído um sistema para garantir que a maior parte das receitas provenientes dos recursos extraídos fosse utilizada em projectos de desenvolvimento e que os direitos de exploração derivados dos recursos extraídos fossem pagos exclusivamente ao Governo. 14
3.0 RECOMENDAÇÕES 61. Com base nas conclusões da Delegação, a Comissão convida o Governo do Botswana a adoptar as seguintes recomendações, com vista a assegurar a promoção e a protecção dos direitos humanos. Medidas legislativas e outras medidas de aplicação das disposições da Carta Africana 62. A Comissão regista com preocupação a baixa taxa de ratificação dos instrumentos regionais e internacionais e apela ao Governo para que acelere a sua ratificação. Concretamente, a Comissão apela ao Governo para que ratifique o seguinte: i. O Protocolo relativo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos da Mulher em África; ii. O Protocolo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre o estabelecimento de um Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos; iii. A Carta Africana da Juventude; iv. A Convenção da União Africana para a Protecção e Assistência de Deslocados Internos em África; v. A Carta Africana da Democracia, Eleições e Governação; vi. O Protocolo relativo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos dos Idosos em África; vii. O Protocolo relativo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em África; viii. O Pacto internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais e o seu Protocolo Facultativo; ix. O Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura; x. O Segundo Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos com vista à Abolição da Pena de Morte; xi. A Convenção para a Protecção de Todas as Pessoas contra os Desaparecimentos Forçados; A Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias; e A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o seu Protocolo Facultativo. 63. O Governo deve instituir uma moratória sobre a pena de morte como medida preliminar para iniciar um diálogo nacional sobre a abolição da pena de morte. 64. O Governo deve promulgar legislação para regulamentar o financiamento dos partidos políticos. 65. Além disso, deve finalizar o processo de transformação do Gabinete do Provedor de Justiça numa instituição híbrida, incluindo funções centradas na promoção e protecção dos direitos humanos, em conformidade com os Princípios relativos ao Estatuto das Instituições Nacionais (os Princípios de Paris). 15
Os direitos das pessoas que vivem com o VIH/SIDA 66. O Governo deve adoptar estratégias concretas para colmatar a falta de financiamento, com vista a garantir a prestação de apoio financeiro adequado aos programas desenvolvidos para combater o VIH/SIDA. 67. O Governo deve fornecer ARV gratuitos aos não cidadãos, com vista a assegurar uma abordagem holística para combater a prevalência do VIH/SIDA no país. 68. O Governo deve adoptar medidas urgentes para reduzir a taxa de novas infecções por VIH entre adolescentes, jovens raparigas e mulheres. 69. O Governo deve criar um ambiente propício para assegurar o exercício dos direitos à saúde das populações-chave e, em especial, o acesso aos testes, ao tratamento e aos cuidados de saúde em matéria de VIH. 70. O Governo deve igualmente assegurar a prestação de serviços de saúde sexual e reprodutiva abrangentes e voltados para os adolescentes. 71. Além disso, devem ser adoptadas medidas para assegurar a recolha de estatísticas vitais sobre a prevalência do VIH/SIDA entre as populações indígenas. Liberdade de expressão e de acesso à informação 72. A Comissão convida o Governo a acelerar a adopção de legislação sobre o direito de acesso à informação. A Proibição da tortura 73. A Comissão exorta o Governo a aprovar uma legislação que inclua uma disposição jurídica específica que criminalize a tortura, para além de designar um organismo independente para investigar as alegações de tortura. Prisões e condições de detenção 74. A Comissão apela ao Governo que crie um órgão independente de supervisão policial para investigar as alegações de violações cometidas pela polícia. 75. A Comissão convida o Governo a organizar regularmente cursos de formação para a divulgação dos instrumentos relacionados com a polícia, incluindo as Directrizes sobre as Condições de Detenção, Custódia Policial e Detenção Preventiva em África (Directrizes de Luanda), as Directrizes para o Policiamento das Reuniões Públicas pelos Agentes da Autoridade em África e os Princípios sobre a Descriminalização dos Pequenos Delitos em África. 16
76. Além disso, exorta-se ao Governo a encetar medidas para reduzir a alegada sobrelotação nas prisões de alta segurança e a considerar o fornecimento de preservativos nas prisões, como forma de prevenir a propagação do VIH/SIDA. Os direitos da mulher 77. A Comissão convida o Governo a considerar a possibilidade de descriminalizar o aborto, com vista a fazer face à elevada incidência de mortalidade materna provocada por abortos praticados sem condições de segurança. 78. O Governo é exortado a instituir medidas concretas para incentivar a participação das mulheres na política. 79. A Comissão exorta o Governo a promulgar uma disposição jurídica específica que criminalize a violação conjugal, para além de tomar medidas urgentes para combater a violência baseada no género, nomeadamente através de programas de promoção da sensibilização do público para a Lei sobre a Violência Doméstica. Os direitos da criança 80. A Comissão apela ao Governo para que estabeleça um mecanismo de supervisão, com vista a controlar o número de raparigas que regressam à escola após a gravidez. Os direitos das pessoas com deficiência 81. O Governo é encorajado a instituir medidas para aumentar a participação das pessoas com deficiência na política. Os direitos das populações/comunidades indígenas 82. A Comissão exorta o Governo a considerar a adopção de uma lei sobre o reconhecimento jurídico dos direitos dos povos indígenas. O direito ao trabalho 83. A Comissão apela ao Governo para que intensifique as iniciativas para combater o desemprego dos jovens. O direito à saúde 84. A Comissão exorta o Governo a assegurar que os serviços de saúde sejam gratuitos, em conformidade com o programa de saúde universal do Governo. 17
18
ANEXOS Anexo 1: Lista de entidades com quem a missão reuniu durante as diversas reuniões Segunda-feira, 9 de Julho de 2018 i. Reunião no Ministério dos Assuntos Internacionais & da Cooperação - Sra. Tapiwa Mongwa, Secretária Permanente Adjunta, Ministério dos Assuntos Internacionais & da Cooperação - Gao T. Tsheko, Funcionário Sénior dos Assuntos Internacionais - Bonieelo Shole, Funcionário dos Negócios Estrangeiros ii. Reunião no Ministério da Defesa, Justiça e Segurança - Sra. S. Tsiane, Secretária Permanente do Ministério da Defesa, Justiça e Segurança - B.C. Nlanda, Administradora Judicial - D. Mogami, Secretária Adjunta - M.D. Bokole, Secretária - M.K. Gondo, conselheiro para questões de política - T.G. Letlhage, Director para a Gestão & Bem-Estar dos Refugiados - DCP K.S. Bogosing, Com o Comissário Adjunto dos Serviços Prisionais de Botswana - B. Makgekgenere, Secretário Permanente Adjunto, Serviços Corporativos - Advogado K.K Mokongwa, Secretário Adjunto para os Serviços Internacionais e Comerciais - S. Oefile, Quadro Superior, Serviços Corporativos iii. Visita ao Centro de Controlo de Doenças Infecciosas (IDCC) - Doutor Tshiamo, Gestor no IDCC - Sibongile K. Bogosing, Comissário Adjunto dos Serviços Prisionais de Botswana - Nto Tomeletso, Comandante da Divisão do Sul, Comandante da Divisão do CentroSul, Botswana dos Serviços Prisionais do Botswana iv. Reunião no Ministro das Finanças e Desenvolvimento Económico - Sra. Grace Muzila, Secretário para o Desenvolvimento e Orçamento, Ministério das Finanças e do Desenvolvimento Económico - O.H. Masimega, Secretário Adjunto, Administração do Orçamento - B.G. Mphetlhe, Secretário Adjunto, Programas de Desenvolvimento - B. Peter, Director, Análise Orçamental & Gestão da Dívida - S.M. Kerapetse, Director, Administração do Orçamento (Recorrente) - I.K. I.K. Oarabile, Director, Gestão & Controlo das Finanças Públicas - S. Mokgatle, Economista-Chefe - M. Gunda-Pule, Director de Finanças Terça-feira, 10 de Julho de 2018 v. Reunião no Ministério da Educação Elementar 19
- Dr. C. Monkge, Secretário Permanente do Ministério da Educação Elementar - S. Coles, Secretário Permanente Adjunto - L.L. Mokhupuki, Director de Educação - J. Gaongalelue, Responsável pela Educação Principal - M. Keabone, S. Coordenador - O.P Bayi, Funcionário em Serviço - Tumelo Selelwane, Funcionário dos Negócios Estrangeiros - Neo Habangana, Director Interino, DSSS vi. Reunião no Ministério do Emprego Juvenil, Desportos & Cultura - Kago Ramokate, Secretário Permanente do Ministério do Emprego, Desporto & Cultura da Juventude - Sr. Gare, Especialista em Políticas - Juventude, - Sr. Ramoroka, Secretário Permanente Adjunto Quarta-feira, 11 de Julho de 2018 vii. Reunião no Ministério do Ensino Superior, Investigação, Ciência & Tecnologia - Tebugo Bagopi, DPS - CS - David O. Mkwe Leetwero, Director - Hlanganiso Kay, Coordenador - Stella Tawana, Directora dos Serviços de Saúde - Busa Lebotse, Coordenador do Ambiente de Segurança e Saúde viii. Reunião com os representantes do Comité Parlamentar de Saúde e VIH/SIDA - G.S. Mangole, Parlamentar, Mochudi West, Presidente do Comité da Saúde e do VIH - Sr. Mohammed I. Khan, Parlamentar de Molepolole North - Sr. Setlhomo Lelatisitswe, Parlamentar de Boteti East - Sr. Edwin J. Batshu, Parlamentar de Nkange - Sr. Buti H. Billy, Parlamentar de Francistown East - Sr. Christian De Graaff, Parlamentar de Ghanzi South - Sr. Prince M. Maele, Parlamentar de Lerala-Maunatlala ix. Reunião com as agências das NU sediadas no Botswana - Ouneetse Makhumalo, Especialista de Coordenação, Gabinete de Coordenação Residente das NU - Joella Marron, Especialista em Direitos Humanos do PNUD - Kagiso Pelopedi, Responsável Nacional de Projectos, OIM - Kefilwe Ksogotisitse, Especialista de Programas do FNUAP - Tebogo Madidimalo, Profissional Nacional - Jyothi Raja Nilambur Kovilakam, Director Nacional da ONUSIDA - Kealeboga Kelly Dambuza, Oficial do Programa Nacional da UNESCO 20
x. Reunião com o Conselho das Organizações Não Governamentais - Sra. Bookie Kethusegile, Presidento do NGO-C - Sr. Jacob Momene, DPS, Finanças, Membro do Conselho - Dr. T.K.R. Mmusi, DPS, membro do Conselho - Sr. K. Moloko. BOCONGO, membro do Conselho - Sra. C. Motshwedi, Secretária do NGO-C Quinta-feira, 12 de Julho de 2018 xi. Reunião no Ministério da Nacionalidade, Imigração e Assuntos do Género; - Sra. Kebonye K. Maoepena, Seccretária Permanente - Dr. Temba Mmusi, Secretário Permanente Adjunto - Sra. Caroline Okello-Wegi, Directora - Departamento de Registo Civil e Nacional - Sra. Thapelo Phuthego, Directora - Departamento da Igualdade de Género - Sra. Florah M. Lekolo, Directora Interina – Departamento da Imigração & Cidadania - Sr. Mookamedi Morwaagole, Assessor Jurídico Principal - Sra. Phemelo Maiketso, Directora Adjunta do Departamento da Igualdade de Género xii. Reunião no Gabinete do Provedor de Justiça - Augustine Makgonatsotlhe, Provedor de Justiça - William S. Moncho, Provedor de Justiça Adjunto - Oscar Gaselabone, Investigador Jurídico Principal - Greg Kelebonye, Gestor de Apoio ao Cliente - Phatodi Nacane, Director de Relações Públicas xiii. Reunião com o Ministério da Saúde e do Bem-Estar e o Coordenador da Agência Nacional de Coordenação da SIDA(NACA) - Sra. Ruth Maphorisa, Secretária Permanente do Ministério da Saúde & do Bem-Estar - Dr. K. Seipone, Director dos Serviços de Saúde - Moses K. Keetile, DPS - Departamento de Investigação de Políticas de Saúde - R.K. Matlhare, Coordenador Nacional da NACA - Joseph Kefas, Gestor - Prevenção do VIH, NACA - Chipo Petlo, Director de Saúde, Ministério da Saúde & do Bem-Estar - Elizabeth Koko, Directora Interina, Ministério da Saúde e do Bem-Estar, Departamento de VIH/SIDA - Lillian S. Moremi, Directora de Saúde, NACA - Baile Moagi, DPS - Monitorização e Avaliação dos Serviços de Saúde, Garantia de Qualidade xiv. Reunião no Ministério do Emprego, Produtividade do Trabalho e Desenvolvimento de Competências - Veronica M. Moloko, Subdirectora - Administração - Olebile Kaosiemeng, Coordenador da Segurança, Saúde e Ambiente 21
- Tshenolo Rashosa, Responsável principal das Relações Industriais- Trabalho - Sylvester Komoki, Responsável principal das Relações Industriais Sexta-feira, 13 de Julho de 2018 xv. Visita à Clínica Bontleng - Rosinah Osupile, Matron xvi. Visita aos escritórios da Associação do Bem-Estar Familiar do Botswana (BOFWA) - Una Ngwenya, Gestora de Programas - Layani Malemane, Coordenador de ARV xvii. Reunião com as organizações não governamentais sediadas no Botswana - Goraka Motlhbane, Oficial de Programas, Centro para a Juventude de Esperança (CEYOHO) - Rodgers Bande, Coordenador, BONELA - Allan Tshekedi, NSGM - Botho Seboko, Director Executivo, BOCONGO - Gabriel Tsuaneng, Presidente, BOCONGO - Robert Letsatsi, Director Executivo, Botswana Watch - Gift M. Nare, Finanças e Administração, Cynthia's Child Care - Mercy Leshomo, Coordenadora, Cynthia's Child Care - Kesepo Basha-Mupeli, Director, Centro para a Juventude de Esperança (CEYOHO) - Isaak Basutli, Administrador de subvenções - Humana People to People Botswana - Yvonne Kgwarae, Responsável pelo Programa de Defesa e Políticas - Botswana Family Welfare Association (BOFWA) 22
Anexo 2: A Agenda da Missão PROGRAMA DE NOMEAÇÃO PARA A COMISSÃO AFRICANA DOS DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS: 09-13 DE JULHO DE 2018 Nr. DATA INTERVENIENTE 1. Segunda-feira, 9 de Julho 08h00 Visita de cortesia com a Secretária Permanente do Ministério dos Assuntos Internacionais & da Cooperação 08h30 Ministério da Defesa, Justiça e Segurança 10h30 Visita ao Centro de Controlo de Doenças Infecciosas (IDCC) 14h30 Ministério das Finanças e Desenvolvimento Económico 2. Terça-feira, Julho 10 de 08h30 Ministério da Educação Elementar 14h00 Ministério do Emprego Juvenil, Desportos & Cultura 3. Quarta-feira, 11 de Julho de 2018 08h30 Ministério do Ensino Superior, Investigação, Ciência e Tecnologia 10h30 Reunião da Assembleia Nacional 11h30 Especialista em Direitos Humanos das Agências das Nações Unidas (ONUSIDA, FNUAP, PNUD) 14h00 Conselho das Organizações Não Governamentais 4. Quinta-feira, 12 de Julho 08h30 Ministério da Nacionalidade, Imigração e Assuntos do Género; 11h30 Ministério da Saúde e do Bem-Estar e Agência Nacional de Coordenação da SIDA 14h30 Ministério do Emprego, Produtividade Desenvolvimento de Competências 23 do Trabalho e
5. Sexta-feira, 13 de Julho 08h30 Visita às instalações de tratamento do VIH 10h30 Conselho das Organizações Não Governamentais do Botswana (BOCONGO) 14h00 Reunião de avaliação no Ministério dos Assuntos Internacionais & da Cooperação 14h30 Conferência de Imprensa 24

Created 17 de jun. de 2026 · Edited 7 de jul. de 2026